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BRASIL, Sudeste, BELO HORIZONTE, FLORESTA, Homem, de 56 a 65 anos



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Diário Andarilho
 


 
 

Beira da Noite

Percebo-me à beira da noite

A observar a calada da noite escura

Não a distingo do som análgico do dia agitado

Perco-me na beira da calçada

Como bêbado que se esvai no beco

De um gargalo inveterado...

Um dia quiseram-me distante dos meus sonhos

Como contrapartida uma realidade nua,

Um sentido rude e uma sensação de limite

Afinal deste deserto, queriam que brotassem meus sentimentos

Foi apenas uma reação natural

Acordei deste pesadelo e mergulhei profundo

Na essência de minhas fantásticas fantasias

Exorcizei o pavor de ficar só, só comigo mesmo,

Voltei meus sentidos para escutar meu próprio compasso

Senti meus cheiros e degustei meus variados sabores

Toquei minh’alma, meu todo inatingível

Reconheci pelo espelho narciso

Meus desejos mais profundos

Desvendei meu corpo, minha essência de vida

E finalmente tomei minha resplandecência

E a projetei como luz de meu próprio caminho

Agora poderei dizer adeus às incoerências do mundo



Categoria: Diário Andarilho
Escrito por Maurício César de Carvalho às 08h17
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O Medo

Em suspiros e dignos soluços, sigo embargado pelo medo

Que insiste em se alojar bem fundo, bem posto

Não adianta apelos, rezas e orações

O mundo já não me encanta

Vem a vontade de dizer adeus

Ao viver em ondas de águas profundas

Quero viver em outra plataforma

Que insiste em não se apresentar por aqui

A ilusão já não se permite, aflora, admite e vigora

Os caminhos foram feitos para serem seguidos,

Mas vem o dilema das cruzadas, os emblemas das escolhas

Fica por conta da dor que invade o peito feito sangria corrente

Pela trajetória tão errante transeunte 

Sempre o desafio de ser o que poderia não ter sido

Não ser aquilo que sempre se desejou

Ter aquilo que não ter havido

Não ter tudo o que poderia ter tido

Então eu pego da coragem que minha alma insiste em possuir

Da certeza da imprevisibilidade e abro o peito

Para o mundo que certamente construí

Mágica, coisa de arte, passe da vontade

Valente coração, alma certa e o caminho vem

Com graça, sem remorso

E eu remoço na ânsia de ser o que sou

Pelo que a vida me deu, me doou

A vida e o tempo, juntos no jogo

A vida me dando razão, muitas vezes tarde

Quando o tempo – sempre o tempo – já passou

Levado pelo vento norte, frio, quente e morno

Aquele que muda e encerra

Daí eu vivo de qualquer jeito, eu interfiro

Mas também sou consequência

Da vontade inabalável do que já não sei

Apenas sei que estou mudando

Possivelmente para um lugar que ainda não descobri

E talvez ainda nem exista em mim

A vida é assim: a certeza incerta ou a incerteza tão certa



Categoria: Diário Andarilho
Escrito por Maurício César de Carvalho às 08h15
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Desesperança

Saí das trevas, da escuridão

Mas a luz ainda me cega

Tomei caminhos em trens,

Em navios em vastas possibilidades

E agora vem o paradoxo

Abro mais um dia com a sensação

Do contraste servido em um prato diário

Servido aos mortais

Que fazer se minha alma me conforta

No caminho que escolhi

Recolho-me ao travesseiro

Sonho sonhos bons e transgressores;

Destes que não aceitam o que nos é oferecido

Em pratos quentes, mas sem sabor

Sei, eu perdi muito tempo da minha vida

Atrás de ilusões perdidas

No olhar, no vento em que o tempo se transformou

Um tempo mais cruel, mais sangrento

Eu somatizo o estilo com as esperanças que se foram

Figuradas nos rostos jovens, de cabelos multicolores

Eu me invejo pela liberdade do construir o mundo

Que já não me resta...

Eu sozinho como um cravo de jardim

Posto no deserto das descobertas

Sofro pelo amor não vivido, pelos anos não assumidos

E me convenço que a desesperança chegou

Finalmente ao meu peito antes tão juvenil

Vejo rostos e corpos que me atraem, mas vêm com histórias

De tristezas mil, de desânimo forte como o fogo que destrói

Histórias tristes de desamor, de apego ao pequeno

A sentimentos que retraem, se contraem e se contradizem

Olho e te vejo pequena para meus maiores sonhos

Sem rosto, sem marca e sem sentido

Então choro pelo passado meu e de quem mais veio comigo

A contar histórias de solidão, de aridez de sentimentos

As lágrimas caem de todos os olhos, de rostos que se contraem

A tristeza, sim, é a marca do tempo em que a luta é mero componente

A vida se esvai através dos dedos tão frágeis

E me entristeço pela marca que me invadiu a alma



Categoria: Diário Andarilho
Escrito por Maurício César de Carvalho às 08h14
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Incoerências

Na mesma noite um sonho, um pesadelo

E o desejo de constatar misturado

Incontinente com a vontade de contestar

E no vácuo deste paradoxal desencontro

Abre-se a lacuna para que eu possa

Preenchê-la com o meu próprio movimento

Pelo sim, pelo não

Descortino minh’alma

Para a pretensão de pretender

E neste ritmo alucinante,

Permanecerá ainda que tardia

A necessidade de reconhecer em mim

Uma fonte de amor, de paz, de loucura

E de muitas incoerências



Categoria: Diário Andarilho
Escrito por Maurício César de Carvalho às 08h12
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Que ele me ouça em audiência

O sonho acabou nas marcas do rosto,

Deixando estrias profundas pela observação e pelo pensar

A mente exala o feitiço do mágico sobrevivente

Em terras muito escuras, ávido pelo brilho que vem do sol

O grito preso na garganta interrompe a calma

Agita a vida e a solidão e as mãos se postam

Em oração dirigida aos céus em preces cotidianas

Os dedos se mantêm em riste, prontos para apontar o melhor destino

O maior desejo de paixão e as lágrimas irrompem cheirando a guardado,

Anos a fio e a frio; pela vida toda não permitida

Recolho as armas combatentes para o estresse não mais sobrevir

Para a dor não se instaurar faceira e a morte não prevalecer

Deposito as forças aos pés, junto de meu Deus

Suplico clemência, apoio, paciência e fé

Para que Ele me ouça em audiência,

Pouse a mão pairada por sobre mim

Eu a receber a bênção com a placidez que vem da alma

Penso e sinto que eu sou feliz,

Mesmo que não saiba e não sinta.



Categoria: Diário Andarilho
Escrito por Maurício César de Carvalho às 08h11
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O Som do Silêncio

Estas almas encorpadas, uniformes

E disformes que usam seus pés

Para o eterno exercício da procura do nada

Do vazio gigantesco que nos toca a alma

No mais longínquo ponto de ser

E nos faz caricaturas da criação divina.

Neste momento sou o lobo solitário

Que uiva do alto do morro frio

E se entrega rouco à desesperança.

Nesta vida louca

Às vezes, o sol apeia na janela do sul

E me faz combatente,

Subtrai-me o conforto de ser mais um.

A janela do sul se fecha aos meus olhos incrédulos

Na busca de um estreito por onde passar todos os meus sentidos.

O azul do mar se agiganta, avassala os condões da praia,

Retira impaciente, transeunte, pedinte e se faz imenso.

O bom dia se instaura no decreto por ser lindo dia

A força da vida se avoluma no peito deste ser vivente.

As hélices do ventilador se confundem em círculos

Como a transpirar de vento: ora norte, ora sul.

O calor abafa os sentimentos

Faz respirar a alma que sai da gente

A espiar o movimento lá de fora.

A coragem oscila no pêndulo do relógio

Paciente e persistente

Marca o passo a passo o moto contínuo.

O som do silêncio marca a necessidade de refletir

Mais um dia e para todo o sempre.



Categoria: Diário Andarilho
Escrito por Maurício César de Carvalho às 06h36
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Alma em Apuros

Sei de minh’alma em apuros

A amargura do ter se entrelaçou à melancolia do ser

Estou qual navio entre raios e ondas de um mar revolto

Sem bússola ou timoneiro, perdido entre norte e oeste

Eu sopro o apito de SOS para meu fiel amigo e protetor

Peço que aplaque minha dor, ditando-a como esperança do desafio

Peço luz, ânimo, proteção, equilíbrio e sorte

Mas o destino cruza

Anônimo e indiferente

Como se o meu viver não contivesse

A mesma essência,

O mesmo prazer de ver Deus

Todos os mesmos gestos

Mesmo que simples,

Trazem a vontade de desvendar a verdade

Em um único ato de desespero



Categoria: Diário Andarilho
Escrito por Maurício César de Carvalho às 04h10
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Reconheço-me andarilho

Reconheço-me o andarilho

O vento sopra forte em meu rosto

O trem corta célere seu caminho...

Ele está nos trilhos

O meu caminho é mais incerto

Demorei a perceber as marcas da referência

O trem veloz me escancara a paisagem

Nua aos meus olhos

As casas solitárias, com seus homens solitários,

Passam rapidamente...

E junto suas mulheres, cavalos, filhos

Nuvens, montes e um mundo de detalhes

Sei que preciso me integrar

Entregar às minhas referências

Recém descobertas,

Mas meus olhos insistem

Em se manterem nostálgicos...

Minh'alma gosta de se mostrar assim

Vem um desejo enorme de parar o trem...

Sentar-me à sombra de uma velha árvore;

Cadê a árvore que estava aqui?

O homem assou

A paisagem está mais certa, segura e palpável

Que minha caminhada andarilha

As nuvens distantes, disformes e mutantes

São mais perceptíveis...

Sou andarilho,

Ainda que o desconhecido me assuste

E o destino me apavore

O trem corre, passa pela curva cinquenta

Desvio os olhos da janela

E percebo meus parceiros de trem

Os mesmos rostos me sorriem amarelo...

Com olhar pálido; sem vida

Sinto-me sozinho em meio a sorrisos

São meus temores

Embaçam-me as vistas e a razão

Não consigo ouvir argumentos

Ditos e desditos

O trem apita de agonia

O barulho no ritmo

Os freios rangem

O trem chegou ao seu destino...

Apeei-me desse louco trem

Desnorteava-me seu trilho certo

Seu destino incerto

A estação também é hostil

As pessoas trombam-me em ânsia de viver

Sei que é hora de enfrentar meus temores



Categoria: Diário Andarilho
Escrito por Maurício César de Carvalho às 05h20
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Onírico e Heroico

Que o mundo não seja tão telúrico, antes mesmo mais onírico, heróico assim como o ato

divino que o inspirou!



Categoria: Curtas
Escrito por Maurício César de Carvalho às 05h02
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Razões Subjetivas

Fui deslocado para o mundo da razão objetiva. Logo encontro uma saída para a minha razão subjetiva do pensar para fazer!



Categoria: Curtas
Escrito por Maurício César de Carvalho às 05h01
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Mito da Caverna

Vivemos, vez por outra, o mito da caverna. Acostumamo-nos com o pequeno feixe de luz e as sombras. Desacorrentar-se e fugir pelas gretas é sempre difícil.



Categoria: Curtas
Escrito por Maurício César de Carvalho às 04h59
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