Folhetos indesejados
Crio uma pequeníssima lista particular de anunciantes de folhetos indesejados. Se quiser indicar algum poluidor, use o comentário desta mensagem.
Jogam sistematicamente na porta das casas:
- Carrefour - Carrefour bairro
- Supergasbrás e seus representantes
Quando esta lista crescer, sua própria força indicará os rumos que poderemos tomar
Falta de Luz
Comecei a ler “O Ser e o Nada” do Sartre e fiquei me perguntando o que me vale saber a relação entre conhecimento e consciência. Fiquei admirado em perceber que todas as minhas conquistas educacionais, mesmo que pequenas se comparadas com as possibilidades do mundo, foram em vão. No Brasil falta luz; não a só a luz que nos ilumina as noites mais escuras, mas a luz do conhecimento – aqui me permito ser comum e até usar uma frase mais vulgar. Cancelaram nossas chances de progresso com o nivelamento rasteiro e analfabeto. Não no sentido da falta das letras, mas no sentido de abrir caminhos. Hoje vale menos a competência e a sabedoria do que as acomodações político-partidárias. Vale mais buscar um concurso público do que um diploma em nossas combalidas universidades. Não acontecem mais debates acalorados sobre posições filosóficas existenciais. Acontecem, sim, mas com uma pitada de patrulhamento “ideológico” do ser contra ou a favor do Lula, do FHC e de qualquer outro figurão do nosso estado tão destruído de originalidade e substância. O pior é que estamos às vésperas de uma eleição, que já a taxaram de plebiscitária. Reforça minha crença. Deus me livre da baixeza que virá. Dos discursos inflamados, não por crença, mas por defesa de um posto, cargo ou benesse. Antes, a gente podia separar o joio. Hoje o trigo além de misturado já não tem muito viço. Não existem mais os políticos que a gente tinha certeza de que não votaria nunca. Temos, hoje, a certeza de que não podemos mais confiar em ninguém, porque estão comprometidos com uma história triste de um país de falsa imagem. Não vou fechar o livro e parar de ler, pois é o que me resta em meu canto solitário.
2012 - O ano que já começou!
Está na internet e na boca pequena mais uma ameaça de apocalipse: “Foi com base naquele calendário de longos ciclos que se estabeleceu a tradição da profecia maia do fim dos tempos. Os astrônomos desta singular cultura pré-colombiana previram para 2012 atividades cósmicas impactantes para o planeta Terra. Quando chegar esta época, o Sol deverá sofrer violentas tempestades emitindo poderosas chamas e partículas cuja potência alcançará este planeta azul causando o colapso de campos de campos magnéticos que certamente produzirão danos nos satélites e outros dispositivos eletrônicos.”
Estas profecias nos dão mais coragem para fazer revisões de vida e nos leva a projetar o que faríamos se nos faltassem mais ou menos 365 dias para o fim dos costumes ou até o de nossas vidas – independe de elas se confirmarem ou não. Se não nos serve como pretensas profecias, nos servem como alerta para promovermos as mudanças internas e nas relações com outros e com o mundo. Pelo sim, pelo não, quero me preparar – não para morrer – mas para mudar ou reparar ou aparar feitos e relações. Sei que se tiver que morrer também, morrerei em paz, porque tenho história para contar.
Gostaria de revisitar todas as pessoas que conheci ao longo da minha vida. Olhar fundo nos olhos das pessoas que me fizeram ofensas, calúnias e maldizeres e estender a mão para perceber o como elas estão se sentindo. Medir o quanto o ódio competitivo ainda lhes faz mal. Se persistir dar-lhes um último sorriso de admiração. Este sentido de reparação me fará muito bem, porque não posso continuar com o sentimento de pena que nutri por elas. Dó é o pior sentimento que existe.
Das pessoas que me desejaram bem, quero resgatar o benefício da amizade, da confiança mútua que pairou sobre a relação. Quero lhes dar o sorriso de gratidão pelo permitir que eu abrisse meus caminhos, pelo afeto e pelos bons conflitos. Já diria Freud que a maior causa do sofrimento vem das relações. Esta revisita serviria para extrair o que ficou de bom para mim; fruto de exemplos de compreensão e mesmo de incompreensões. Certamente eu mudei para melhor pela interação com todas elas.
Encheria um balaio imenso com as pessoas que ajudei. Outro – não menor - com aquelas que não quiseram minha ajuda por orgulho e/ou preconceito. Engraçado que continuaria com a mão estendida para qualquer pessoa em qualquer balaio. O mundo não entende mais a entrega; mas faço questão do gesto.
A seguir revisitar minhas encruzilhadas; onde pesou muito minha decisão de seguir este ou aquele caminho. Relembrar velhas esquinas que me davam a visão do presente e do futuro. Não terei o poder de retificar decisões mal empreendidas; mas poderei refletir sobre um recomeço, sem traumas e melancolias.
Seria mais ativo política e socialmente; isto sim. Sempre fui um rebelde que lutava apenas em mim mesmo, em batalhas incríveis. Sei que sempre lutei contra o formalismo, o conservadorismo, o comunismo, o capitalismo, o processualismo, o radicalismo e todos os ismos que sempre nos assolaram. É difícil imaginar mudanças sem o contraditório, sem prestar atenção a questionamentos. O melhor de viver é saber fazer a pergunta certa; não necessariamente obter a melhor resposta; mas sempre na mão e na alma o velho e bom questionar-se.
Mas como a gente tem sempre um saco de maldade, sempre resultante da indignação; eu gostaria de desmascarar os falsos, hipócritas e cínicos. Faria por pura necessidade de depurar as relações sociais com a fartura de falsos heróis. Não deveríamos conviver mais com os artificialismos – outro ismo - com tantos falsos dominantes e famosos tão sem conteúdo construtivo. Valeria neste sentido reverter votos de confiança a políticos, empresários a quem me dediquei, esportistas que fizeram fama e formadores de opinião que se venderam no mercado das vaidades.
Seria menos ingênuo e puro. Não mais como profetizou uma psicóloga há muitos anos atrás: “Maurício, você é uma das últimas almas puras e por isso você vai sofrer mais do que todas as outras”. Vale dizer que o sofrimento engrandece a alma; mas a dignidade precisa prevalecer.
Suprimiria mais ainda o medo de me posicionar. Este medo que paralisa, enrijece e tonifica a inação. Finalmente, com profecia ou não, estarei pronto para recomeçar. Falta apenas o forte sim que a vida ficou de me dar e que aguardo com o mesmo entusiasmo e espírito transgressor da minha juventude.
A minha alma quer transgredir
Não tenho certeza, mas o Nilton Bonder ainda não havia escrito “A alma imoral”, quando meus cabelos eram grandes, meu comportamento era puramente transgressor e eu tinha muitos ídolos.
Meus cabelos encurtaram, meu jeito de me postar ficou acuado e meus heróis morreram de overdose. Uns pela transgressão continuada, outros pelo aderente conformismo. Dos sonhos coloridos transportei-me ao desencanto febricitante pela indignação.
Fico procurando na história minha e na de outros quando foi que os ideais, que nos norteavam, se perderam. De tanto procurar, descobri que foram destruídos lentamente pela doença crônica da conformidade, pela falsidade das palavras fáceis e pela truculência dos que tomaram o poder. Aqui vale o poder de falar sem ter que explicar, convencer e convergir. Vale o poder de se tornar inatacável porque as leis – que eles mesmos fazem - os protegem e também pelo efeito massificado e protetor dos que poderiam alcançar a grande classe mais plebéia.
O combate à ditadura, que nos uniu, foi se dissolvendo aos poucos pela inconsistência dos conceitos ideológicos e de posturas ensimesmadas, pelas exaltações cegas a um inimigo que não mais existia. O perigo éramos nós mesmos e não tínhamos essa consciência. Na verdade uma turba reunida por um sonho juvenil e imaturo. Como sempre, em meio à euforia inocente, os oportunistas aproveitadores de uma ingenuidade tão bonita quanto passiva.
Eu recorro ao que tive por mim escrito: “Eu perdi muito tempo da minha vida atrás de ilusões perdidas no olhar, no vento em que o tempo se transformou: um tempo mais cruel, mais sangrento. Eu somatizo o estilo com as esperanças que se foram, figuradas nos rostos jovens, de cabelos multicolores. Eu me invejo pela liberdade do construir o mundo que já não me resta. Eu sozinho como um cravo de jardim, posto no deserto das descobertas. Sofro pelo amor não vivido, pelos anos não assumidos. E me convenço que a desesperança chegou finalmente ao meu peito antes tão juvenil. Vejo histórias tristes de desamor, de apego ao pequeno e a sentimentos que retraem, se contraem e se contradizem. A tristeza, sim, é a marca do tempo em que a luta é mero componente. A vida se esvai através dos dedos tão frágeis e me entristeço pela marca que me invadiu a alma, em suspiros e dignos soluços. Sigo embargado pelo medo que insiste em se alojar bem fundo, bem posto. Não adianta apelos, rezas e orações. O mundo já não me encanta, me dá vontade de dizer adeus...”
A razão de tanto desencanto está em nosso modelo de país: subvertido – a ordem das coisas é sempre subvertida; sem lógica nem princípio. O submundo dominou, fazendo conviver a miséria humana com a bandidagem oficializada ou não. Estamos subordinados a interesses individuais, sem que prevaleça o conceito de nação. Somos subornados quando as transações sempre são secretas e submetidas por interesses de grupos. Somos subtraídos quando nos tiram a força, a energia e a riqueza. Estamos subnutridos social e culturalmente e acumulamos o lixo vendido como manifestação cultural – verdadeira sub-cultura. Nossos ideais tão juvenis foram substituídos por ideologias mambembes marcadas pela hipocrisia e o cinismo.
O único marco capaz de revolucionar todo esse anacronismo seria o da educação. E o que fizemos com ela? Relegamos a processos, a formalismos, tecnicismos. Construímos gerações perdidas sem valores e princípios e agora fazemos verdadeira colheita maldita.
Escolhemos a econometria para nos medir o valor, com pibs, ipcas e um infinito número de índices que escondem a real situação de uma sociedade perdida por sofismas e manipulações.
Quando se vê a classe política mal engajada, os indivíduos subjugadamente temerosos e a imprensa conformadamente alheia, o judiciário se curvando, a gente fica com medo de todo mundo estar com medo; afinal o inimigo joga pesado com todas as fichas para que o poder não lhe escape com o atrevimento de ser tão cínico e hipócrita. O futuro a Deus pertence. Adeus pertence? E nós vamos vivendo de idiotas úteis que somos ou nos fizeram. As discussões estéreis escondem um jogo político sujo e interesseiro; em que o interesse coletivo é apenas um ato secundário e demagógico.
A gente lê sobre um escândalo, se indigna com o denunciado e passa a admirar o denunciante. Daí a gente vê no dia seguinte que o denunciante está envolvido em outra falcatrua e passa o dia indignado pelo admirado do dia anterior. No final do mês ou mesmo muito antes, percebe que todos os denunciados já foram admirados um dia.
Factóides, notícias sem importância, datas comemorativas de simpáticos esportistas entremeiam este verdadeiro jogo sem sentido. As ideias, bom, as ideias a gente deixa para o próximo governo, para a próxima geração ou para quem for bobo de ficar com o bastão por último. Deve pagar a conta ou nós mesmos continuamos pagando: somos muito mais bobos.
Infelizmente, neste país a gente, o eleitor comum sempre teve de votar em pessoas e não em programas. Agora, nem mais isto nos é facultado. Cada vez mais as pessoas se tornam políticas e deixam de ser pessoas. Aliás, eu prefiro um político ateu cioso a um crente à toa, simpaticamente sorridente.
O vazio se estabeleceu e o sonho está por um fio. E do lado desta nossa pequenez, nem sabemos mais o que fazer ou a quem apelar.
E os que detém o poder de comunicar a todas as tribos? Por que se calam diante deste jogo tão cruel, principalmente para as pessoas mais comuns?
No máximo, escrevem artigos que mexem com a gente, mas não passa disto. Revira o desejo de um país mais legal, mas fica tudo apenas nas palavras. Com seus veículos poderosos que têm em mãos, poderiam ser catalisadores de um movimento; não a favor de uns e contra os outros; sem personificações ou partidarizações. É simples questão de tolerância zero contra a mediocridade, a falcatrua e o jeitinho e as palavras fáceis dos que têm o poder. “Eles são muitos, mas não sabem voar”, diz o esquecido Ednardo.
Os intelectuais murcharam como rosa em terreno infértil. Parece que a inspiração tinha uma única fonte: o lutar contra o autoritarismo violento das armas em punho. Era bom e oportuno argumento: reagir à autoridade considerada em nossos pais e estendida a policiais e militares. Agora não têm mais força prosa e poética para encarar o poder malicioso, envolvente, sub-reptício da “ordem” estabelecida.
Então vem a pergunta chata: por que eu escrevo se a descrença persiste?
Escrevo para que não me esqueça e não deixe que todos se esqueçam. É preciso se lembrar das palavras ditas e não ditas, todas sentidas, às vezes sopradas ao vento, longe dos ouvidos, mas perto do coração. Escrevo para não conter a indignação intensa que se instalou feito posseira e ela se transformar em tédio, mágoa, tristeza e uma infinidade de sentimentos ruins.
Este texto tem a pura intenção de fazer transgredir pelo olhar da alma, firmado na lembrança do que nos diz Nilton Bonder – em A Alma Imoral -: “Há um olhar que sabe discernir o certo do errado e o errado do certo. Há um olhar que enxerga quando a obediência significa desrespeito e a desobediência significa respeito. Há um olhar que reconhece os curtos caminhos longos e os longos caminhos curtos. Há um olhar que desnuda, que não hesita em afirmar que existem fidelidades perversas e traições de grande lealdade. Este olhar é o da alma.”
Dito oferecido
Não me faça um convite que eu vou; não me peça um palpite que dou
Mutações
Os conceitos não são eternos; tampouco as razões e emoções
Boa companhia
Nos momentos mais difíceis da minha vida eu fui minha melhor companhia; sempre afinando instrumentos, com a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo
Filosofia e Política
Enquanto a filosofia é o exercício da dúvida, a política é o exercício do impossível
Bem valia
As pessoas que me avaliaram pelo tilintar de minhas moedas, descobriram que menos valia; as pessoas que me avaliaram pelas minhas idéias, perceberam-me muito extravagante; por isto eu não me avalio, eu simplesmente me amo
Lembrança de Bocage
“Meu ser evaporei na lida insana, no tropel das paixões que me arrastava. Ah! Cego eu cria ... Ah! Mísero eu sonhava ver em mim a essência humana...”
Lembrança do navegador Vasco da Gama
“O mar revolto treme diante de nós; não tenhais medo...”
Mundo paralelo
Existe um mundo paralelo acontecendo ao meu redor; ele se torna real quando o destino se encarrega de promover as coincidências.
Óbvio e o lógico
O lógico só se torna óbvio, depois que conseguimos demonstrá-lo; até então é pura especulação.
Relatividade
Um dia descobrimos que "tudo é relativo" e que somos, na verdade, o contraponto da tese: meras hipóteses
Senso comum
A prática comum corrói a intuição e cerceia a criatividade
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Meu Perfil BRASIL , Sudeste , BELO HORIZONTE , FLORESTA , Homem , de 56 a 65 anos |
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