Beira da Noite
Percebo-me à beira da noite
A observar a calada da noite escura
Não a distingo do som análgico do dia agitado
Perco-me na beira da calçada
Como bêbado que se esvai no beco
De um gargalo inveterado...
Um dia quiseram-me distante dos meus sonhos
Como contrapartida uma realidade nua,
Um sentido rude e uma sensação de limite
Afinal deste deserto, queriam que brotassem meus sentimentos
Foi apenas uma reação natural
Acordei deste pesadelo e mergulhei profundo
Na essência de minhas fantásticas fantasias
Exorcizei o pavor de ficar só, só comigo mesmo,
Voltei meus sentidos para escutar meu próprio compasso
Senti meus cheiros e degustei meus variados sabores
Toquei minh’alma, meu todo inatingível
Reconheci pelo espelho narciso
Meus desejos mais profundos
Desvendei meu corpo, minha essência de vida
E finalmente tomei minha resplandecência
E a projetei como luz de meu próprio caminho
Agora poderei dizer adeus às incoerências do mundo



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